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Psicologia · Psicanálise

Natasha Contro de Souza

Psicanálise (Freud e Lacan) — CRP 06/145841

Psicóloga e psicanalista, mestre em Psicologia pela PUC-Campinas e doutoranda no Instituto de Psicologia da USP, onde pesquisa saúde mental e trabalho. É também professora do curso de Psicologia na PUC-Campinas.

Com formações pelo Clin-A e pela Associação Campinense de Psicanálise, atua na clínica com orientação freudiana e lacaniana, atendendo adolescentes e adultos. Também realiza avaliações psicológicas e elabora documentos técnicos em processos trabalhistas relacionados ao sofrimento e adoecimento no trabalho.

Natasha Contro de Souza, psicóloga da Mental Help
“Cada um alcança a verdade que é capaz de suportar.”Lacan, citado por Natasha Contro de Souza

Dúvidas comuns sobre análise

O que se espera de uma análise?

Espera-se que a análise permita ao sujeito se aproximar daquilo que, em sua própria história, ainda lhe causa estranhamento, sofrimento ou repetição. Mais do que oferecer respostas prontas, a análise possibilita formular novas perguntas e construir outras formas de se relacionar com aquilo que não pode simplesmente ser eliminado da vida.

O analista deve dizer o que fazer?

Não. O analista não ocupa o lugar de quem conhece a resposta correta para a vida do outro. Seu papel é favorecer condições para que o sujeito possa escutar aquilo que diz, reconhecer seus conflitos, contradições e desejos e, a partir disso, construir suas próprias respostas. Dar uma direção pronta pode justamente impedir esse processo.

Quando o sofrimento se transforma em culpa?

O sofrimento pode se transformar em culpa quando o sujeito passa a interpretar como fracasso pessoal aquilo que também é produzido por relações, condições sociais ou circunstâncias que ultrapassam sua responsabilidade. Isso é particularmente frequente em uma cultura que valoriza desempenho, produtividade e autossuficiência, fazendo com que limites humanos sejam vividos como insuficiência individual.

O sofrimento no trabalho é uma questão individual?

Não exclusivamente. Embora o sofrimento seja experimentado singularmente por cada trabalhador, ele também é atravessado pela organização do trabalho, pelas relações de poder, pelas exigências de produtividade, pelas condições materiais e pela forma como o trabalho é socialmente organizado. Individualizar completamente esse sofrimento pode ocultar aquilo que há de coletivo e estrutural em sua produção.

Quem adoece: o trabalhador ou a organização do trabalho?

Quem manifesta o adoecimento é o trabalhador, mas isso não significa que a origem do sofrimento esteja exclusivamente nele. Determinadas formas de organização do trabalho podem produzir condições sistematicamente adoecedoras. Por isso, é importante compreender tanto a história singular do sujeito quanto as condições concretas nas quais ele trabalha, evitando atribuir o adoecimento apenas a uma suposta fragilidade individual.

O que significa responsabilizar-se sem culpabilizar-se?

Responsabilizar-se significa reconhecer a própria participação naquilo que fazemos com o que nos aconteceu, sem assumir como culpa aquilo que não foi produzido por nós. Um sujeito pode não ser responsável pela violência, exploração ou sofrimento que sofreu, mas pode construir maneiras de responder a essa experiência. A responsabilidade abre possibilidades de transformação; a culpa, muitas vezes, paralisa.

É possível sair da posição de vítima sem negar a violência sofrida?

Sim. Reconhecer que alguém foi vítima de uma violência é diferente de reduzir toda a sua identidade a essa experiência. Sair da posição de vítima não significa negar, minimizar ou relativizar o que aconteceu, mas permitir que o sujeito possa se reconhecer também para além da violência sofrida e recuperar alguma possibilidade de ação sobre sua própria história.

O que um sintoma tem a dizer?

O sintoma não é apenas algo que precisa ser eliminado. Ele pode ser compreendido como uma forma pela qual um conflito, uma angústia ou algo que ainda não pôde ser elaborado encontra uma maneira de se expressar. Escutar um sintoma implica perguntar não apenas “como fazê-lo desaparecer?”, mas também “que função ele ocupa?” e “o que ele revela sobre a relação do sujeito consigo mesmo e com o mundo?”.

O que significa sustentar o não saber em análise?

Sustentar o não saber é não transformar rapidamente aquilo que o paciente traz em uma explicação pronta. É conseguir permanecer diante de uma pergunta sem precisar respondê-la imediatamente, dando espaço para que algo novo possa aparecer.

O que faz uma análise produzir mudanças?

Uma análise produz mudanças quando aquilo que era vivido apenas como repetição, sintoma ou sofrimento pode ganhar palavras, sentidos e novas possibilidades de elaboração. A mudança não decorre somente de compreender racionalmente um problema, mas da possibilidade do sujeito reconhecer como participa de determinadas repetições, entrar em contato com seus desejos e conflitos e construir outras formas de se relacionar consigo, com os outros e com aquilo que lhe acontece.

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