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Nutrição comportamental
Giovana Santarosa Cassiano
Nutrição Comportamental — CRN 63583
Graduada em Nutrição pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Ciências da Nutrição e do Esporte e Metabolismo pela mesma instituição. Possui aprimoramento em Transtornos Alimentares pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP e capacitação em Abordagem Não Prescritiva.
Atua há 5 anos na Nutrição Clínica, com foco em Nutrição Comportamental, acompanhando pessoas com transtornos alimentares e dificuldades na relação com a comida e o corpo. Seu trabalho é voltado majoritariamente a mulheres adultas, mas também contempla homens e adolescentes.
Integra a equipe de Nutrição do ambulatório de Transtornos Alimentares da Psiquiatria da UNICAMP, participando do cuidado nutricional de pessoas em processo de recuperação.

“Mais do que mudar a alimentação, meu trabalho é transformar a relação que as pessoas têm com ela.”Giovana Santarosa Cassiano
Dúvidas comuns sobre nutrição comportamental
Como funciona o acompanhamento nutricional?
Meu trabalho é baseado na abordagem comportamental da nutrição, que vai além de simplesmente dizer o que você deve ou não comer.
A alimentação é influenciada por muitos fatores: emoções, sentimentos, rotina, ambiente, relação com o corpo, experiências anteriores e até pelo significado que a comida tem para cada pessoa. Por isso, durante o acompanhamento, buscamos entender não apenas o que você come, mas por que, como, quando, onde e com quem você come.
O objetivo é ajudar você a construir uma relação mais tranquila e flexível com a comida, desenvolvendo autonomia para fazer escolhas alimentares sem depender de regras rígidas, culpa ou da lógica do “8 ou 80”.
O acompanhamento pode ser indicado para pessoas que vivenciam o efeito sanfona, relação difícil com a comida, impulsividade ou compulsões alimentares, mentalidade de dieta e também para pessoas com transtornos alimentares, como anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar.
Utilizo ferramentas e conceitos da nutrição comportamental, como Comer Intuitivo, comer com atenção plena e neutralidade corporal, sempre adaptando o processo às necessidades de cada pessoa.
O acompanhamento é indicado para quem quer emagrecer?
O foco do meu trabalho não é prescrever uma dieta para emagrecimento ou estabelecer regras rígidas de alimentação.
Para muitas pessoas, principalmente aquelas que vivem o efeito sanfona ou uma relação difícil com a comida, o foco precisa ser entender e modificar a relação com a alimentação. Isso porque peso não é um comportamento: não é algo que a pessoa consegue simplesmente escolher ou controlar da mesma forma que escolhe fazer uma refeição, respeitar a fome ou incluir determinado alimento.
Ao longo do processo, pode acontecer uma mudança no corpo como consequência das mudanças na alimentação e na relação com a comida. Mas o foco do acompanhamento está justamente em construir mudanças de comportamento que sejam sustentáveis e que promovam mais saúde e bem-estar, e não em perseguir um determinado número na balança.
Atende pessoas com transtornos alimentares?
Sim. Trabalho com o acompanhamento nutricional de pessoas com transtornos alimentares, como anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar.
Nesses casos, o acompanhamento é individualizado e pode exigir uma frequência maior de consultas. Quando necessário, o trabalho também pode acontecer de forma integrada com outros profissionais da equipe, como psicólogos e médicos.
Como funciona a frequência das consultas?
A frequência é definida de acordo com cada caso, considerando o quanto a relação com a comida está impactando a rotina, o bem-estar e a saúde da pessoa.
Em muitos casos, o acompanhamento é quinzenal, mas algumas pessoas podem se beneficiar de consultas semanais, especialmente em determinados momentos do tratamento de um transtorno alimentar. Em outros casos, consultas mensais podem ser suficientes.
A frequência pode ser ajustada ao longo do processo conforme as necessidades da pessoa.
Atende convênio?
Não trabalho diretamente com convênios.
A consulta é realizada de forma particular e, caso o seu plano ofereça reembolso para consultas nutricionais, posso fornecer os documentos necessários para que você solicite o reembolso junto à operadora.
As regras e o valor do reembolso dependem de cada convênio e do contrato do paciente.
Você trabalha com planejamento alimentar?
Sim, quando ele faz sentido para aquele momento do acompanhamento.
Em alguns casos, utilizo o planejamento alimentar como uma ferramenta para ajudar a pessoa a criar uma estrutura de refeições, ter ideias do que comer, evitar longos períodos sem se alimentar ou, por exemplo, auxiliar no processo de recuperação de peso em casos de anorexia nervosa.
Mas o planejamento não é pensado como uma regra que precisa ser seguida 100% do tempo. Ele funciona mais como um norte, que pode ser adaptado à rotina e às necessidades da pessoa.
Também é importante entender que o planejamento alimentar, sozinho, não trata uma relação difícil com a comida. Por isso, quando ele é utilizado, faz parte de um trabalho mais amplo.
A consulta pode ser online ou presencial?
Sim. As consultas podem ser realizadas online ou presencialmente em Campinas.
A modalidade pode ser escolhida de acordo com a preferência e as necessidades de cada pessoa.
Como saber se esse acompanhamento é para mim?
Se você sente que pensa demais em comida, vive entre o controle e a perda de controle, sente culpa ao comer, tem dificuldade de confiar nos seus sinais de fome e saciedade, vive o efeito sanfona ou sente que sua relação com o corpo interfere na alimentação, o acompanhamento pode ser uma possibilidade.
Na primeira consulta, vamos entender melhor a sua história e o que você está vivendo para avaliar quais caminhos podem fazer sentido para você.
Se eu parar de me controlar, não vou perder totalmente o controle?
Parar de se controlar não significa “comer tudo, a qualquer hora, em qualquer lugar”. A nutrição comportamental não funciona assim. A proposta é diminuir o 8 ou 80 — aquele ciclo entre restringir demais e depois sentir que perdeu o controle — e desenvolver ferramentas para entender melhor suas vontades, necessidades e escolhas. Dar permissão para comer não é o mesmo que ser permissivo: você pode comer porque quer e, da mesma forma, pode escolher não comer quando não estiver com vontade. O objetivo é construir mais autonomia, e não trocar uma regra por outra.
Como diferenciar fome física da vontade de comer?
A fome física costuma aparecer de forma gradual, com sinais corporais e abertura para diferentes alimentos. Já uma vontade de comer pode aparecer de forma mais repentina e estar relacionada a diversos motivos: prazer, contexto social, emoções, hábito ou simplesmente vontade de um alimento específico. E uma coisa importante: ter vontade de comer não significa que você está comendo por emoção. Ao longo do acompanhamento, vamos aprender a perceber esses diferentes sinais sem transformar cada vontade em um problema que precisa ser controlado.
Você vai me passar uma dieta?
Não necessariamente. Muitas pessoas se beneficiam de uma abordagem não prescritiva, especialmente quando já passaram por muitos ciclos de dieta, restrição e compulsão. Em alguns casos, porém, uma estrutura alimentar pode ser importante — com horários, combinações de alimentos ou ideias para organizar a rotina. A diferença é que isso será construído de acordo com as suas necessidades, sem transformar a alimentação em mais uma lista rígida de regras.
Mas eu quero emagrecer. É possível mesmo fazendo esse acompanhamento?
Podemos conversar sobre o seu desejo de emagrecer, mas o acompanhamento não será baseado em perseguir um número na balança a qualquer custo. Muitas pessoas chegam depois de anos alternando restrição, exageros e tentativas de emagrecimento, e nesse contexto faz sentido trabalhar primeiro a relação com a comida e os comportamentos alimentares. Reduzir episódios de compulsão ou comer emocional, flexibilizar regras e construir uma alimentação mais sustentável podem fazer parte desse processo. O foco está na mudança dos comportamentos e na sua saúde como um todo, e não em fazer do peso o único indicador de sucesso.
Como faço para parar de descontar minhas emoções na comida?
Primeiro, precisamos entender como esse ciclo acontece para você: o que costuma acontecer antes, quais emoções aparecem, o que você busca naquele momento e o que a comida proporciona. A partir daí, podemos ampliar seu repertório de formas de lidar com emoções, buscando outras possibilidades de conforto, descanso, distração ou acolhimento. E, quando necessário, esse trabalho pode ser feito em conjunto com a psicologia. Também é importante olhar para a própria alimentação, porque viver em restrição e tentando se controlar o tempo todo pode aumentar a chance de chegar à comida com muita fome, ansiedade ou sensação de “agora eu vou comer tudo”.
Será que eu tenho compulsão alimentar ou só falta de controle?
“Falta de controle” é uma expressão muito usada para descrever comportamentos alimentares que podem ter várias causas — e ela não é suficiente para dizer se existe um transtorno alimentar. O transtorno de compulsão alimentar tem critérios específicos e envolve episódios recorrentes de compulsão, com sensação de perda de controle sobre o que e quanto está comendo, entre outros critérios. Comer uma grande quantidade de um alimento que você gosta, por si só, não significa necessariamente ter tido uma compulsão. A avaliação precisa considerar a frequência, o contexto, o comportamento e o sofrimento envolvido. Por isso, se você se identifica com essa sensação de “não consigo parar de comer”, vale investigar em vez de simplesmente se culpar ou tentar se controlar mais.
Posso comer doces sem prejudicar minha saúde?
Sim. Doces podem fazer parte de uma alimentação saudável. Quando um alimento é colocado na categoria dos “proibidos”, ele pode ganhar ainda mais importância: pensamos mais nele, sentimos mais vontade e podemos chegar ao momento de comer com a sensação de que aquela é a nossa única oportunidade. Trabalhar a relação com o doce envolve ter permissão para comer e também liberdade para não comer. Afinal, comer com liberdade também significa poder pensar “hoje não estou com vontade” sem sentir que precisa aproveitar enquanto pode.
Como melhorar minha relação com o meu corpo sem depender de emagrecer?
Você não precisa esperar emagrecer para começar a construir uma relação diferente com o seu corpo. Isso pode envolver trabalhar pensamentos e críticas que foram sendo construídos ao longo da vida e sair, aos poucos, de uma relação baseada em ódio, cobrança e insatisfação. A proposta não precisa ser “amar o seu corpo” todos os dias. Podemos buscar algo mais possível: respeitá-lo, cuidar dele e enxergá-lo como parte da sua vida, e não como um ornamento que precisa estar sempre de acordo com um determinado padrão. A ideia de neutralidade corporal também passa por isso: perceber tudo o que seu corpo permite que você viva, experimente e faça, para além da aparência.