Psicologia · Biblioterapia

O que é Biblioterapia?

A biblioterapia é uma prática terapêutica que utiliza a leitura como forma de tratamento para problemas psicológicos, emocionais e sociais — o cuidado psíquico e o acolhimento de nossa alma através da potência da leitura e da literatura.

Na Mental Help, a Biblioterapia é conduzida por Cristina Crespo da Silva Marins em Círculos de Biblioterapia — uma ferramenta complementar dentro do cuidado em Psicologia, não uma especialidade separada. Ela pode ser aplicada em grupo, proporcionando a sociabilidade e motivando os participantes a expressarem e dialogarem sobre suas impressões e sentimentos em relação ao que foi lido, ou de forma individual, variando de acordo com o que é melhor para a pessoa naquele momento.

São usados diversos gêneros literários, como romance, conto, crônica e poesia. As obras são cuidadosamente recomendadas de acordo com as necessidades de cada um, de modo a não só entreter e relaxar, como também provocar uma reflexão mais profunda sobre si.

Perguntas frequentes sobre Biblioterapia

Como surgiu a biblioterapia?

A ideia de que a leitura tem potencial curativo e terapêutico é conhecida desde a Grécia Antiga, onde as bibliotecas eram vistas como locais sagrados de cura. No entanto, a biblioterapia como hoje é conhecida teve início apenas no século XX.

O termo "biblioterapia" foi adotado em 1916 pelo escritor americano Samuel McChord Crothers. Mais tarde, em 1941, sua definição foi inserida no dicionário Dorland's Illustrated Medical Dictionary, que descreve a prática como o uso de livros e da leitura para o tratamento de doenças nervosas.

Na década de 1940-50, a prática começou a ser formalizada com a inclusão da disciplina no curso de Biblioteconomia, e psicólogos passaram a usar a leitura terapêutica em seus tratamentos. Desde então, a biblioterapia evoluiu e se expandiu, sendo utilizada em diferentes contextos — hoje é reconhecida como uma ferramenta terapêutica valiosa em várias partes do mundo, integrando-se às práticas de psicologia, educação e trabalho social, em locais que vão de escolas a hospitais, clínicas, asilos e até prisões.

Quando a biblioterapia é recomendada?

A biblioterapia é mais utilizada em casos clínicos de transtorno psicológico, como depressão e ansiedade. Porém, atualmente, sabe-se que qualquer pessoa pode usufruir da biblioterapia. Pessoas de qualquer idade, classe social, gênero e etnia podem se beneficiar com a prática, mesmo que não tenham nenhum tipo de transtorno.

Quais questões recorrentes podem ser tratadas com o auxílio da biblioterapia?

Bullying, luto, procrastinação, abandono, perda de bens, traumas, perda dos sentidos (audição, visão), separação, encarceramento, saída de um emprego ou relação adoecida, infelicidade no trabalho, sentimento de profunda falta de esperança, sofrimento por relações familiares adoecidas, desanimo pela vida, angústia (questionamentos de valores e crenças), descontrole emocional, doença, fracassos e velhice.

Atenção: a leitura só é considerada uma terapia propriamente dita quando acompanhada por um profissional. Embora ler por conta própria tenha seus próprios pontos positivos, caso esteja sofrendo gravemente com alguma dessas situações, procure um psicólogo, psicanalista ou médico de confiança.

Quais são os benefícios da biblioterapia?

Redução do estresse e da ansiedade, desenvolvimento da empatia, estímulo à reflexão, melhora na comunicação, desenvolvimento pessoal e redução do sentimento de solidão.

Quem pode atuar como biblioterapeuta?

Psicólogos e terapeutas: profissionais de saúde mental de diversas abordagens podem incorporar livros em seus tratamentos, recomendando leituras específicas que tratam dos problemas enfrentados pelos pacientes.

Bibliotecários e educadores: em escolas e bibliotecas, podem utilizar os livros para ajudar estudantes, criando programas de leitura voltados ao desenvolvimento emocional e social dos alunos.

Assistentes sociais: podem usar a leitura como ferramenta para apoiar pessoas que enfrentam desafios como pobreza, exclusão social e violência doméstica.

Médicos e enfermeiros: em contextos hospitalares, a biblioterapia pode ser usada como parte do tratamento de pacientes com doenças crônicas ou em recuperação de cirurgias, ajudando a melhorar o estado de ânimo e a exercitar o cérebro.

Quais são os tipos de biblioterapia?

Biblioterapia clínica — voltada ao tratamento de distúrbios e transtornos psicológicos através dos livros, geralmente aplicada por psicólogos, psiquiatras ou outros profissionais de saúde mental. Seu objetivo é tratar questões comportamentais, emocionais, sociais, morais e físicas, recomendando obras de ficção ou não-ficção conforme a necessidade de cada paciente. A leitura é acompanhada de sessões de terapia, onde o conteúdo do livro é discutido e analisado em conjunto com o terapeuta.

Biblioterapia de desenvolvimento — aplicada em contextos educativos ou comunitários, com foco no crescimento pessoal e no desenvolvimento emocional de indivíduos ou grupos, para aliviar angústias mais pontuais. É mais utilizada em escolas para ajudar crianças e adolescentes a lidar com questões como bullying, autoestima e identidade, geralmente conduzida por educadores e bibliotecários.

Fontes: CALDIN, Clarice Fortkamp. A leitura como função terapêutica: biblioterapia. Encontros Bibli: revista eletrônica de biblioteconomia e ciência da informação, v. 6, n. 12, p. 32–44, 2001. CALDIN, Clarice Fortkamp. Leitura e terapia. Tese (Doutorado em Literatura) — Universidade Federal de Santa Catarina, 2009.

Quer saber mais sobre os Círculos de Biblioterapia?

Conheça Cristina Crespo da Silva Marins, responsável pelos Círculos de Biblioterapia na Mental Help.

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